"They tried to change me but they realized they can't." [Miley Cyrus]
Mudança. Uma palavra tão etérea, parece não significar nada para ninguém. Afinal, prometem-se mudanças assim como se dá balas à crianças - sem o menor receio de fazê-lo levianamente. Quantas pessoas não juraram mudar neste ano que virá? Uma noção ainda mais incorreta porque o tempo não existe - aquilo que chamamos de tempo é mais uma invenção humana tomada como base na matéria que transcende, transita pelo espaço.
A mudança em si não existe, pois somos a mesma pessoa ao longo da vida, e os outros "eus" passados não existem mais. Portanto, se não existe um parâmetro inicial, não existe mudança em si e para si.
Intriga-me pessoas que prometem mudar seu caráter como se essa tarefa (digamos, hercúlea) fosse possível. A "mudança" de caráter em si leva à uma subversão da pessoa, e portanto, já não é mais ela mesma, e nem o outro criado do lado oposto do espelho.
Plethora
domingo, 2 de janeiro de 2011
domingo, 26 de dezembro de 2010
Mineral (postagem extra de Domingo)
"O excesso de informação pode levar o ser humano a um estado de regressão mineral - no qual todo esforço é hercúleo, até mesmo respirar ou pensar." [Fonte Confidencial]
Como vocês não sabem, eu viajei neste final de semana, e encontrei uma outra pessoa que conseguisse não só acompanhar minhas teorias mais loucas (o que já é um feito extraordinário), mas também debatê-las e acrescentar detalhes. Conversamos sobre assuntos filosóficos que ninguém mais (além de pouquíssimas pessoas no mundo) gostariam nem de tocar em, por causa da quantidade absurda de paradoxos e conceitos abstratos, porém lógicos, surgidos na nossa conversa.
Este papo com esta fonte confidencial me deu muito o que pensar. Transcrevo alguma das discussões que tivemos, reescrevendo o discurso, obviamente, para ser um texto em forma de não-diálogo, mas sim de tópicos.
1 - Vamos falar sobre religião de novo. Chegamos a um paradoxo nesta conversa (do qual minha fonte confidencial escapou com muita habilidade): considere três casos distintos de pessoas, nominados a seguir.
A - Uma pessoa mata alguém sem razão aparente.
B - Uma pessoa mata alguém por legítima defesa.
C - Uma pessoa mata alguém para salvar uma raça/pátria inteira.
Considere também que estas três pessoas morram e sofram o dito "julgamento final". A partir daí, seguem-se duas perguntas:
- Não seria injusto que as três pessoas recebessem o mesmo julgamento, visto que as circunstâncias foram completamente diferente?
- Não seria injusto que as três pessoas recebessem julgamentos diferentes, visto que a ação em si foi igual?
Pois é. Chegamos a um contrassenso - e, de acordo com a religião, as divindades são completamente justas. Isto não dá margem para que elas sejam apenas justas com aqueles que concordem com apenas uma das ditas vertentes. Por consequência, o julgamento seria injusto e então, não passível de ocorrer. Solução proposta: a dita divindade não julgaria as pessoas - o julgamento estaria na outra ponta, no morto, que faria da presença desta divindade o céu ou o inferno de acordo com o que ela acredita, assim como pessoas más não suportam ficar por perto de gente boa.
2 - Contexto social e limites. O que é um limite? Essa foi de autoria minha na conversa. Percebi que o conceito de limite está relacionado com produtividade, e para explicar, pego um exemplo bem idiota. Considere a relação de uma pessoa com o chocolate. Se a pessoa não comer chocolate, se torna irritadiça, amarga e até mesmo rude (conheço gente assim, por incrível que pareça), e, portanto, se torna improdutiva para a sociedade. O inverso também é verdade - uma pessoa que come muito chocolate acaba ficando doente e, por consequência, improdutiva também.
O mesmo se aplica ao pensamento. A sociedade gira em torno de falsos discursos positivos como "relaxe a mente", "não se exceda", "não há necessidade" e "você precisa parar de pensar" porque pessoas que pensam demais CONTESTAM. Pessoas que não pensam produzem nada, mas pessoas que pensam demais podem chegar a destruir o sistema construído. É exatamente por isso que ouvimos diversas histórias de pessoas que "ficaram loucas de tanto pensar", o que não faz sentido algum, visto que pessoas que pensam tem mais consciência de si mesmas, e não o inverso.
3 - Físico x Mental: o estado mineral. Essa teoria foi praticamente de autoria conjunta. Considere agora uma pessoa que tenta se desligar de todos os artíficos não-lógicos implantados pela sociedade. Esta pessoa abandona o instinto e passa a trabalhar de uma forma mais racional, aproximando-se de um estado que chamarei "estado mental puro" (The purest forms of life... our days are never coming back... [Highway Song, System of a Down]). O inverso ocorre com a vinculação física - que chamamos de estado mineral pois pedras obviamente não tem atividade mental alguma, sendo apenas afetadas pelo físico. Discordamos grandemente num caso de extremo pensamento - eu acredito que as pessoas, quando começam a pensar demais, tendem-se a afastar do físico e chegar ao mental puro. Minha fonte diz que essas pessoas pifam, e passam a ser pessoas "minerais". Ou, como tenho certeza que uma amiga minha diria, passam a ter cérebro de esponja.
Essa história de "mineral" me lembrou de uma frase extremamente famosa.
"Pietro è la pietra." (Bíblia)
Pois bem, Pedro é a pedra. A Bíblia diz isso com um intuito de dizer que Pedro era inabalável em suas crenças - mas outro sentido pode ser retirado desta nova configuração. Se Pedro era a pedra, Pedro não sofria mudança mental, sendo assim apenas afetado pelo físico - portanto, uma pessoa mineral, que não sofre mudança muito menos evolui intelectualmente. E isso não acontece só na religião. Muitas pessoas se mineralizam, fechando a mente para tudo e todos, impedindo assim de aprender, ou mudar de idéia, tornando-se idiotizadas, obsoletas e até mesmo por certas vezes nostálgicas.
Como vocês não sabem, eu viajei neste final de semana, e encontrei uma outra pessoa que conseguisse não só acompanhar minhas teorias mais loucas (o que já é um feito extraordinário), mas também debatê-las e acrescentar detalhes. Conversamos sobre assuntos filosóficos que ninguém mais (além de pouquíssimas pessoas no mundo) gostariam nem de tocar em, por causa da quantidade absurda de paradoxos e conceitos abstratos, porém lógicos, surgidos na nossa conversa.
Este papo com esta fonte confidencial me deu muito o que pensar. Transcrevo alguma das discussões que tivemos, reescrevendo o discurso, obviamente, para ser um texto em forma de não-diálogo, mas sim de tópicos.
1 - Vamos falar sobre religião de novo. Chegamos a um paradoxo nesta conversa (do qual minha fonte confidencial escapou com muita habilidade): considere três casos distintos de pessoas, nominados a seguir.
A - Uma pessoa mata alguém sem razão aparente.
B - Uma pessoa mata alguém por legítima defesa.
C - Uma pessoa mata alguém para salvar uma raça/pátria inteira.
Considere também que estas três pessoas morram e sofram o dito "julgamento final". A partir daí, seguem-se duas perguntas:
- Não seria injusto que as três pessoas recebessem o mesmo julgamento, visto que as circunstâncias foram completamente diferente?
- Não seria injusto que as três pessoas recebessem julgamentos diferentes, visto que a ação em si foi igual?
Pois é. Chegamos a um contrassenso - e, de acordo com a religião, as divindades são completamente justas. Isto não dá margem para que elas sejam apenas justas com aqueles que concordem com apenas uma das ditas vertentes. Por consequência, o julgamento seria injusto e então, não passível de ocorrer. Solução proposta: a dita divindade não julgaria as pessoas - o julgamento estaria na outra ponta, no morto, que faria da presença desta divindade o céu ou o inferno de acordo com o que ela acredita, assim como pessoas más não suportam ficar por perto de gente boa.
2 - Contexto social e limites. O que é um limite? Essa foi de autoria minha na conversa. Percebi que o conceito de limite está relacionado com produtividade, e para explicar, pego um exemplo bem idiota. Considere a relação de uma pessoa com o chocolate. Se a pessoa não comer chocolate, se torna irritadiça, amarga e até mesmo rude (conheço gente assim, por incrível que pareça), e, portanto, se torna improdutiva para a sociedade. O inverso também é verdade - uma pessoa que come muito chocolate acaba ficando doente e, por consequência, improdutiva também.
O mesmo se aplica ao pensamento. A sociedade gira em torno de falsos discursos positivos como "relaxe a mente", "não se exceda", "não há necessidade" e "você precisa parar de pensar" porque pessoas que pensam demais CONTESTAM. Pessoas que não pensam produzem nada, mas pessoas que pensam demais podem chegar a destruir o sistema construído. É exatamente por isso que ouvimos diversas histórias de pessoas que "ficaram loucas de tanto pensar", o que não faz sentido algum, visto que pessoas que pensam tem mais consciência de si mesmas, e não o inverso.
3 - Físico x Mental: o estado mineral. Essa teoria foi praticamente de autoria conjunta. Considere agora uma pessoa que tenta se desligar de todos os artíficos não-lógicos implantados pela sociedade. Esta pessoa abandona o instinto e passa a trabalhar de uma forma mais racional, aproximando-se de um estado que chamarei "estado mental puro" (The purest forms of life... our days are never coming back... [Highway Song, System of a Down]). O inverso ocorre com a vinculação física - que chamamos de estado mineral pois pedras obviamente não tem atividade mental alguma, sendo apenas afetadas pelo físico. Discordamos grandemente num caso de extremo pensamento - eu acredito que as pessoas, quando começam a pensar demais, tendem-se a afastar do físico e chegar ao mental puro. Minha fonte diz que essas pessoas pifam, e passam a ser pessoas "minerais". Ou, como tenho certeza que uma amiga minha diria, passam a ter cérebro de esponja.
Essa história de "mineral" me lembrou de uma frase extremamente famosa.
"Pietro è la pietra." (Bíblia)
Pois bem, Pedro é a pedra. A Bíblia diz isso com um intuito de dizer que Pedro era inabalável em suas crenças - mas outro sentido pode ser retirado desta nova configuração. Se Pedro era a pedra, Pedro não sofria mudança mental, sendo assim apenas afetado pelo físico - portanto, uma pessoa mineral, que não sofre mudança muito menos evolui intelectualmente. E isso não acontece só na religião. Muitas pessoas se mineralizam, fechando a mente para tudo e todos, impedindo assim de aprender, ou mudar de idéia, tornando-se idiotizadas, obsoletas e até mesmo por certas vezes nostálgicas.
Núcleo
"Forever alive. [...] Forever I lie. Forever. And never, and never..." [Serj Tankian]
A mentira. Existem seres humanos que vivem sem alegria. Existem pessoas que nunca sentiram raiva de verdade. Mas que atire a primeira pedra quem nunca mentiu. Isso é porque a mentira se encaixa em todo contexto. Ela pode ser egoísta, altruísta, maldosa, manipuladora, irrelevante, e fica à discrição da pessoa de aplicá-la. Mas, ah, é impossível evitá-la, enquanto respirarmos.
Não existe pior mentira. Muitas pessoas dizem que a pior mentira é "mentir para si mesmo", mas a definição de mentira é a de criação de um fato que não condiz com a realidade. Mas o que é realidade? Os pensamentos - são realidades? E uma pessoa que não tem consciência de sua própria consciência, pode mentir, sendo que para ela a mentira é a verdade e os outros não tem conceito formado para distinguir a verdade? Acho que não.
A verdade é que a mentira advem do medo. São conceitos intrinsecamente ligados. Alguém mente com medo de chatear o outro. Com medo de que outros tomem proveito de si. Com medo de que outros o subestimem, mentem dizendo que fez coisas que nunca sonhou fazer. Mente para si mesmo por não saber aceitar, muito menos modificar, sua realidade.
É por isso que a mentira é parte integrante do ser humano. Porque o medo também o é. E é exatamente por esses motivos que a religião é uma mentira (apenas para constar, ateísmo TAMBÉM é uma religião, assim como deísmo, agnosticismo e afins). A religião tem como origem uma peça dúbia, visto que, de acordo com todas as "religiões" propriamente ditas - que chamarei a partir de agora de cultos - o ser humano não deve entender a divindade. Portanto, como pode compreendê-la em um artigo humano que não passa de reles papel e tinta? Este conceito contraditório mostra que a religião vem de uma insegurança humana - o que existe do lado de lá - e que, por não querer admitir que não tem resposta (outro defeito humano), passa a arriscar e defender o seu lado da verdade sem ter provas. Portanto, do medo origina-se a mentira. A única saída de se fugir deste contrassenso é não se ter religião de todo. O que quero dizer com isso? A ausência de religião não é acreditar que não há poder criador (sendo que isso é mais uma especulação do que não se pode saber - sendo assim um conceito sobre o divino e podendo ser catalogado como religião, fato comprovado pela etmologia da palavra: ateísmo, catolicismo, cristianismo, judaismo, budismo) e sim o não-crer em nada, usando apenas a mera lógica. O que é lógico? O lógico é que algo criou o mundo, mesmo que o mundo tenha sido gerado de uma explosão cósmica, tenha sofrido autogênese (foi gerado por ele mesmo), ou tenha vindo até mesmo do nada (ou do KÁOS, como os gregos prefeririam dizer), mas, mesmo sabendo que o mundo veio de algo (mesmo que esse algo seja o nada), não se pode especular mais nada sobre a divindade.
A religião me faz pensar em mais um ponto. Serão os não-crentes tão pecadores quanto os crentes costumam dizer? Porque, honestamente, nunca fui abordado por um ateu em casa tentando me doutrinar. No entanto, muitos religiosos chegam a discutir com outras pessoas por esse assunto.
O problema é que tudo é vago demais nessa sociedade. A partir do momento em que tudo se centralizar, as fraquezas ficarão expostas, se romperão, e daí poderemos progredir (ou regredir) uma vez mais.
No entanto, a inação é a pior medida. Até mesmo do que a regressão.
A mentira. Existem seres humanos que vivem sem alegria. Existem pessoas que nunca sentiram raiva de verdade. Mas que atire a primeira pedra quem nunca mentiu. Isso é porque a mentira se encaixa em todo contexto. Ela pode ser egoísta, altruísta, maldosa, manipuladora, irrelevante, e fica à discrição da pessoa de aplicá-la. Mas, ah, é impossível evitá-la, enquanto respirarmos.
Não existe pior mentira. Muitas pessoas dizem que a pior mentira é "mentir para si mesmo", mas a definição de mentira é a de criação de um fato que não condiz com a realidade. Mas o que é realidade? Os pensamentos - são realidades? E uma pessoa que não tem consciência de sua própria consciência, pode mentir, sendo que para ela a mentira é a verdade e os outros não tem conceito formado para distinguir a verdade? Acho que não.
A verdade é que a mentira advem do medo. São conceitos intrinsecamente ligados. Alguém mente com medo de chatear o outro. Com medo de que outros tomem proveito de si. Com medo de que outros o subestimem, mentem dizendo que fez coisas que nunca sonhou fazer. Mente para si mesmo por não saber aceitar, muito menos modificar, sua realidade.
É por isso que a mentira é parte integrante do ser humano. Porque o medo também o é. E é exatamente por esses motivos que a religião é uma mentira (apenas para constar, ateísmo TAMBÉM é uma religião, assim como deísmo, agnosticismo e afins). A religião tem como origem uma peça dúbia, visto que, de acordo com todas as "religiões" propriamente ditas - que chamarei a partir de agora de cultos - o ser humano não deve entender a divindade. Portanto, como pode compreendê-la em um artigo humano que não passa de reles papel e tinta? Este conceito contraditório mostra que a religião vem de uma insegurança humana - o que existe do lado de lá - e que, por não querer admitir que não tem resposta (outro defeito humano), passa a arriscar e defender o seu lado da verdade sem ter provas. Portanto, do medo origina-se a mentira. A única saída de se fugir deste contrassenso é não se ter religião de todo. O que quero dizer com isso? A ausência de religião não é acreditar que não há poder criador (sendo que isso é mais uma especulação do que não se pode saber - sendo assim um conceito sobre o divino e podendo ser catalogado como religião, fato comprovado pela etmologia da palavra: ateísmo, catolicismo, cristianismo, judaismo, budismo) e sim o não-crer em nada, usando apenas a mera lógica. O que é lógico? O lógico é que algo criou o mundo, mesmo que o mundo tenha sido gerado de uma explosão cósmica, tenha sofrido autogênese (foi gerado por ele mesmo), ou tenha vindo até mesmo do nada (ou do KÁOS, como os gregos prefeririam dizer), mas, mesmo sabendo que o mundo veio de algo (mesmo que esse algo seja o nada), não se pode especular mais nada sobre a divindade.
A religião me faz pensar em mais um ponto. Serão os não-crentes tão pecadores quanto os crentes costumam dizer? Porque, honestamente, nunca fui abordado por um ateu em casa tentando me doutrinar. No entanto, muitos religiosos chegam a discutir com outras pessoas por esse assunto.
O problema é que tudo é vago demais nessa sociedade. A partir do momento em que tudo se centralizar, as fraquezas ficarão expostas, se romperão, e daí poderemos progredir (ou regredir) uma vez mais.
No entanto, a inação é a pior medida. Até mesmo do que a regressão.
domingo, 19 de dezembro de 2010
Ser Humano
"O homem não precisa aprender a ser homem. O homem precisa aprender a ser humano." (Newman Simões)
Vivemos hoje em dia uma "elfização" do ser humano. O que eu quero dizer com isso? Quem já leu Eragon entenderia - mas explicarei para todos. Os elfos, em Eragon, se tornaram imortais, mas ainda sofrem de doenças e podem morrer por conta delas, ou por causa de ferimentos. Eles apenas evitaram a morte natural. Seguimos por aí. Um dia, o ser humano vai deixar de ser humano. Porque a morte faz parte de nossas personalidades - muitas pessoas fazem loucuras com a desculpa de "eu não vou viver para sempre mesmo". E isso me fez refletir - será mesmo a medicina a nova promessa para a vida eterna, ou o caminho que fará o jovem se condenar ainda mais? Porque ninguém usa drogas para se fuder, eles só querem a viagem e só depois tentar o conserto. Com uma medicina mais forte, quantas pessoas se jogaram de cabeça nesse mundo? Todas as que tem vontade de experimentar, mas tem medo das consequências. Isso é extremamente triste.
Essa discussão me levou a outra reflexão - muitos pais, com medo destas estatísticas alarmantes, não teram mais coragem de ter filhos. Por quê? Porque se a probabilidade de um jovem, digamos, usar algo ilegal e que pode sim, matá-lo, for acima de 50%, muitas pessoas pararão de ter filhos. Ninguém procria pro outro sofrer. Isso levaria ao fim do homem. Olha que confuso - uma medicina mais forte, matando o ser humano. Totalmente paradoxal. Totalmente possível. Existem já hoje em dia, grupos de eco-chatos que propõem, com todas as letras, a erradicação do ser humano, dizendo que o homem não faz nada além de destruir. Muito provável que, neste quadro distópico, mais pessoas se juntem a essa causa. Nossa única saída, neste contexto, é aprender a pensar. Re-aprender a ser humano.
O problema é que isso provavelmente levaria à decrepitude da fé. Não digo FIM, pois muitas pessoas ainda terão a convicção em algo maior. Mas, sinceramente falando, a arte da fé é a arte daquilo que não se vê, não se compreende. A lógica, no entanto, é a arte de compreender o que se vê. Um aumento na lógica implica em uma redução na fé. É por isso que haviam mais religiosos na Idade Média do que hoje em dia, e ainda mais na Antiga Grécia. Para eles, até o girar em torno do sol era causado por divindades - o sol se movia pois ele era a carruagem de Helios, deus do Sol.
Por isso, fico indeciso - eu deveria realmente confiar na Medicina? Aonde ela vai nos levar amanhã? O futuro parece ser bem promissor - maior expectativa de vida, menos doenças - mas, ao se olhar bem de perto, essas promessas se transformam em terríveis monstros - mais poluição, mais descaso, mais morte, doenças mais resistentes. Toda dádiva é uma maldição e toda maldição é uma dádiva. Por isso, eu não confio. Não confio na Medicina, diferentemente da maior parcela da população. Porque eu acho que "Medicine will start Stealing Society", para usar o título de uma música do System of a Down. O refrão dessa música me mostra exatamente o que vai acontecer, na minha concepcção:
"Crack pipes, needles, PCP and fast cars
They all mix kind of well in a dead movie star
If I feel like talking, I'll never be wrong
If I feel like walking, you should best come along"
(pressão de grupo - "se eu decidir falar, nunca vou estar errado, se eu decidir andar, é melhor você me seguir")
[...]
"Looking for a mother that will get me high.
Just a stupid motherfucker, if I die, I die, alright."
Se eu morrer, morri, e foda-se o mundo. Muita gente pensa assim, e acho que ainda mais passarão a pensar deste jeito se tudo isso acontecer.
Vivemos hoje em dia uma "elfização" do ser humano. O que eu quero dizer com isso? Quem já leu Eragon entenderia - mas explicarei para todos. Os elfos, em Eragon, se tornaram imortais, mas ainda sofrem de doenças e podem morrer por conta delas, ou por causa de ferimentos. Eles apenas evitaram a morte natural. Seguimos por aí. Um dia, o ser humano vai deixar de ser humano. Porque a morte faz parte de nossas personalidades - muitas pessoas fazem loucuras com a desculpa de "eu não vou viver para sempre mesmo". E isso me fez refletir - será mesmo a medicina a nova promessa para a vida eterna, ou o caminho que fará o jovem se condenar ainda mais? Porque ninguém usa drogas para se fuder, eles só querem a viagem e só depois tentar o conserto. Com uma medicina mais forte, quantas pessoas se jogaram de cabeça nesse mundo? Todas as que tem vontade de experimentar, mas tem medo das consequências. Isso é extremamente triste.
Essa discussão me levou a outra reflexão - muitos pais, com medo destas estatísticas alarmantes, não teram mais coragem de ter filhos. Por quê? Porque se a probabilidade de um jovem, digamos, usar algo ilegal e que pode sim, matá-lo, for acima de 50%, muitas pessoas pararão de ter filhos. Ninguém procria pro outro sofrer. Isso levaria ao fim do homem. Olha que confuso - uma medicina mais forte, matando o ser humano. Totalmente paradoxal. Totalmente possível. Existem já hoje em dia, grupos de eco-chatos que propõem, com todas as letras, a erradicação do ser humano, dizendo que o homem não faz nada além de destruir. Muito provável que, neste quadro distópico, mais pessoas se juntem a essa causa. Nossa única saída, neste contexto, é aprender a pensar. Re-aprender a ser humano.
O problema é que isso provavelmente levaria à decrepitude da fé. Não digo FIM, pois muitas pessoas ainda terão a convicção em algo maior. Mas, sinceramente falando, a arte da fé é a arte daquilo que não se vê, não se compreende. A lógica, no entanto, é a arte de compreender o que se vê. Um aumento na lógica implica em uma redução na fé. É por isso que haviam mais religiosos na Idade Média do que hoje em dia, e ainda mais na Antiga Grécia. Para eles, até o girar em torno do sol era causado por divindades - o sol se movia pois ele era a carruagem de Helios, deus do Sol.
Por isso, fico indeciso - eu deveria realmente confiar na Medicina? Aonde ela vai nos levar amanhã? O futuro parece ser bem promissor - maior expectativa de vida, menos doenças - mas, ao se olhar bem de perto, essas promessas se transformam em terríveis monstros - mais poluição, mais descaso, mais morte, doenças mais resistentes. Toda dádiva é uma maldição e toda maldição é uma dádiva. Por isso, eu não confio. Não confio na Medicina, diferentemente da maior parcela da população. Porque eu acho que "Medicine will start Stealing Society", para usar o título de uma música do System of a Down. O refrão dessa música me mostra exatamente o que vai acontecer, na minha concepcção:
"Crack pipes, needles, PCP and fast cars
They all mix kind of well in a dead movie star
If I feel like talking, I'll never be wrong
If I feel like walking, you should best come along"
(pressão de grupo - "se eu decidir falar, nunca vou estar errado, se eu decidir andar, é melhor você me seguir")
[...]
"Looking for a mother that will get me high.
Just a stupid motherfucker, if I die, I die, alright."
Se eu morrer, morri, e foda-se o mundo. Muita gente pensa assim, e acho que ainda mais passarão a pensar deste jeito se tudo isso acontecer.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Plethora
"I don't want my life to just become a file. I want to live."
Projeto novo, o Plethora. Eu percebi, já faz duas semanas (isso é o que dá procastinar...), que poucos blogs pegavam e escrutinizavam o ser humano. Talvez por medo? Ninguém gosta da verdade nua e crua. Talvez por incapacidade? As pessoas são mestres na arte do autoengano. Então, eu tomei uma decisão. Eu falaria do tudo através do nada, ou melhor, através de uma simples frase inicial a toda semana, quebrando e modelando a realidade que residia em apenas uma sentença. Ao falar de uma frase de amor, não pense que apenas me restringirei às cenas românticas. Vou começar provavelmente falando de amor. Posso chegar a crime passional, e daí começar a discutir a violência. Depois, posso passar ao bullying e terminar a postagem com as minhas idéias de uma educação melhor. De amor à escola. Dois temas diferentes, com várias fases intermediárias, vindos de uma só frase. Isso é o Plethora. Uma pletora de imagens que surgem a partir do... nada. Porque, meus amigos, o nada é o tudo, e o tudo é o nada.
A frase de hoje não é uma frase famosa. É meramente uma frase que eu inventei quando queria jogar com palavras, e vi que LIFE era anagrama de FILE. No entanto, a frase me fez pensar - por que um papel tem mais valor do que uma pessoa? Um contrato mostra isso - confia-se no papel, não confia-se na palavra, sendo que o contrato não é isento de ser, no fim, uma farsa. Muitas pessoas, além disso, vivem para os outros, guardando experiências apenas para impressionar. Feitos, coisas impressionantes. Seria maravilhoso, se não viesse de uma cabeça vazia que, tudo o que desejava, era viver para os outros.
Isso me fez pensar em algo. As pessoas podem agir de duas maneiras. Ou como espelho, ou como caixa preta. O espelho é superficial demais - mostra apenas o outro, na camada mais externa, de uma maneira bruta e imediatista. Muito parecido com pessoas idiotas que apenas sabem criticar os outros. A outra maneira é a caixa preta - não mostra nada, a primeira vista. Mas as experiências que elas têm, são delas. Basta apenas alguém se arriscar e abrir a tampa, para realmente conhecer quem reside lá dentro, inexoravelmente.
Projeto novo, o Plethora. Eu percebi, já faz duas semanas (isso é o que dá procastinar...), que poucos blogs pegavam e escrutinizavam o ser humano. Talvez por medo? Ninguém gosta da verdade nua e crua. Talvez por incapacidade? As pessoas são mestres na arte do autoengano. Então, eu tomei uma decisão. Eu falaria do tudo através do nada, ou melhor, através de uma simples frase inicial a toda semana, quebrando e modelando a realidade que residia em apenas uma sentença. Ao falar de uma frase de amor, não pense que apenas me restringirei às cenas românticas. Vou começar provavelmente falando de amor. Posso chegar a crime passional, e daí começar a discutir a violência. Depois, posso passar ao bullying e terminar a postagem com as minhas idéias de uma educação melhor. De amor à escola. Dois temas diferentes, com várias fases intermediárias, vindos de uma só frase. Isso é o Plethora. Uma pletora de imagens que surgem a partir do... nada. Porque, meus amigos, o nada é o tudo, e o tudo é o nada.
A frase de hoje não é uma frase famosa. É meramente uma frase que eu inventei quando queria jogar com palavras, e vi que LIFE era anagrama de FILE. No entanto, a frase me fez pensar - por que um papel tem mais valor do que uma pessoa? Um contrato mostra isso - confia-se no papel, não confia-se na palavra, sendo que o contrato não é isento de ser, no fim, uma farsa. Muitas pessoas, além disso, vivem para os outros, guardando experiências apenas para impressionar. Feitos, coisas impressionantes. Seria maravilhoso, se não viesse de uma cabeça vazia que, tudo o que desejava, era viver para os outros.
Isso me fez pensar em algo. As pessoas podem agir de duas maneiras. Ou como espelho, ou como caixa preta. O espelho é superficial demais - mostra apenas o outro, na camada mais externa, de uma maneira bruta e imediatista. Muito parecido com pessoas idiotas que apenas sabem criticar os outros. A outra maneira é a caixa preta - não mostra nada, a primeira vista. Mas as experiências que elas têm, são delas. Basta apenas alguém se arriscar e abrir a tampa, para realmente conhecer quem reside lá dentro, inexoravelmente.
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