domingo, 19 de dezembro de 2010

Ser Humano

"O homem não precisa aprender a ser homem. O homem precisa aprender a ser humano." (Newman Simões)

Vivemos hoje em dia uma "elfização" do ser humano. O que eu quero dizer com isso? Quem já leu Eragon entenderia - mas explicarei para todos. Os elfos, em Eragon, se tornaram imortais, mas ainda sofrem de doenças e podem morrer por conta delas, ou por causa de ferimentos. Eles apenas evitaram a morte natural. Seguimos por aí. Um dia, o ser humano vai deixar de ser humano. Porque a morte faz parte de nossas personalidades - muitas pessoas fazem loucuras com a desculpa de "eu não vou viver para sempre mesmo". E isso me fez refletir - será mesmo a medicina a nova promessa para a vida eterna, ou o caminho que fará o jovem se condenar ainda mais? Porque ninguém usa drogas para se fuder, eles só querem a viagem e só depois tentar o conserto. Com uma medicina mais forte, quantas pessoas se jogaram de cabeça nesse mundo? Todas as que tem vontade de experimentar, mas tem medo das consequências. Isso é extremamente triste.

Essa discussão me levou a outra reflexão - muitos pais, com medo destas estatísticas alarmantes, não teram mais coragem de ter filhos. Por quê? Porque se a probabilidade de um jovem, digamos, usar algo ilegal e que pode sim, matá-lo, for acima de 50%, muitas pessoas pararão de ter filhos. Ninguém procria pro outro sofrer. Isso levaria ao fim do homem. Olha que confuso - uma medicina mais forte, matando o ser humano. Totalmente paradoxal. Totalmente possível. Existem já hoje em dia, grupos de eco-chatos que propõem, com todas as letras, a erradicação do ser humano, dizendo que o homem não faz nada além de destruir. Muito provável que, neste quadro distópico, mais pessoas se juntem a essa causa. Nossa única saída, neste contexto, é aprender a pensar. Re-aprender a ser humano.

O problema é que isso provavelmente levaria à decrepitude da fé. Não digo FIM, pois muitas pessoas ainda terão a convicção em algo maior. Mas, sinceramente falando, a arte da fé é a arte daquilo que não se vê, não se compreende. A lógica, no entanto, é a arte de compreender o que se vê. Um aumento na lógica implica em uma redução na fé. É por isso que haviam mais religiosos na Idade Média do que hoje em dia, e ainda mais na Antiga Grécia. Para eles, até o girar em torno do sol era causado por divindades - o sol se movia pois ele era a carruagem de Helios, deus do Sol.

Por isso, fico indeciso - eu deveria realmente confiar na Medicina? Aonde ela vai nos levar amanhã? O futuro parece ser bem promissor - maior expectativa de vida, menos doenças - mas, ao se olhar bem de perto, essas promessas se transformam em terríveis monstros - mais poluição, mais descaso, mais morte, doenças mais resistentes. Toda dádiva é uma maldição e toda maldição é uma dádiva. Por isso, eu não confio. Não confio na Medicina, diferentemente da maior parcela da população. Porque eu acho que "Medicine will start Stealing Society", para usar o título de uma música do System of a Down. O refrão dessa música me mostra exatamente o que vai acontecer, na minha concepcção:

"Crack pipes, needles, PCP and fast cars
They all mix kind of well in a dead movie star
If I feel like talking, I'll never be wrong
If I feel like walking, you should best come along"

(pressão de grupo - "se eu decidir falar, nunca vou estar errado, se eu decidir andar, é melhor você me seguir")

[...]

"Looking for a mother that will get me high.
Just a stupid motherfucker, if I die, I die, alright."

Se eu morrer, morri, e foda-se o mundo. Muita gente pensa assim, e acho que ainda mais passarão a pensar deste jeito se tudo isso acontecer.

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