"O excesso de informação pode levar o ser humano a um estado de regressão mineral - no qual todo esforço é hercúleo, até mesmo respirar ou pensar." [Fonte Confidencial]
Como vocês não sabem, eu viajei neste final de semana, e encontrei uma outra pessoa que conseguisse não só acompanhar minhas teorias mais loucas (o que já é um feito extraordinário), mas também debatê-las e acrescentar detalhes. Conversamos sobre assuntos filosóficos que ninguém mais (além de pouquíssimas pessoas no mundo) gostariam nem de tocar em, por causa da quantidade absurda de paradoxos e conceitos abstratos, porém lógicos, surgidos na nossa conversa.
Este papo com esta fonte confidencial me deu muito o que pensar. Transcrevo alguma das discussões que tivemos, reescrevendo o discurso, obviamente, para ser um texto em forma de não-diálogo, mas sim de tópicos.
1 - Vamos falar sobre religião de novo. Chegamos a um paradoxo nesta conversa (do qual minha fonte confidencial escapou com muita habilidade): considere três casos distintos de pessoas, nominados a seguir.
A - Uma pessoa mata alguém sem razão aparente.
B - Uma pessoa mata alguém por legítima defesa.
C - Uma pessoa mata alguém para salvar uma raça/pátria inteira.
Considere também que estas três pessoas morram e sofram o dito "julgamento final". A partir daí, seguem-se duas perguntas:
- Não seria injusto que as três pessoas recebessem o mesmo julgamento, visto que as circunstâncias foram completamente diferente?
- Não seria injusto que as três pessoas recebessem julgamentos diferentes, visto que a ação em si foi igual?
Pois é. Chegamos a um contrassenso - e, de acordo com a religião, as divindades são completamente justas. Isto não dá margem para que elas sejam apenas justas com aqueles que concordem com apenas uma das ditas vertentes. Por consequência, o julgamento seria injusto e então, não passível de ocorrer. Solução proposta: a dita divindade não julgaria as pessoas - o julgamento estaria na outra ponta, no morto, que faria da presença desta divindade o céu ou o inferno de acordo com o que ela acredita, assim como pessoas más não suportam ficar por perto de gente boa.
2 - Contexto social e limites. O que é um limite? Essa foi de autoria minha na conversa. Percebi que o conceito de limite está relacionado com produtividade, e para explicar, pego um exemplo bem idiota. Considere a relação de uma pessoa com o chocolate. Se a pessoa não comer chocolate, se torna irritadiça, amarga e até mesmo rude (conheço gente assim, por incrível que pareça), e, portanto, se torna improdutiva para a sociedade. O inverso também é verdade - uma pessoa que come muito chocolate acaba ficando doente e, por consequência, improdutiva também.
O mesmo se aplica ao pensamento. A sociedade gira em torno de falsos discursos positivos como "relaxe a mente", "não se exceda", "não há necessidade" e "você precisa parar de pensar" porque pessoas que pensam demais CONTESTAM. Pessoas que não pensam produzem nada, mas pessoas que pensam demais podem chegar a destruir o sistema construído. É exatamente por isso que ouvimos diversas histórias de pessoas que "ficaram loucas de tanto pensar", o que não faz sentido algum, visto que pessoas que pensam tem mais consciência de si mesmas, e não o inverso.
3 - Físico x Mental: o estado mineral. Essa teoria foi praticamente de autoria conjunta. Considere agora uma pessoa que tenta se desligar de todos os artíficos não-lógicos implantados pela sociedade. Esta pessoa abandona o instinto e passa a trabalhar de uma forma mais racional, aproximando-se de um estado que chamarei "estado mental puro" (The purest forms of life... our days are never coming back... [Highway Song, System of a Down]). O inverso ocorre com a vinculação física - que chamamos de estado mineral pois pedras obviamente não tem atividade mental alguma, sendo apenas afetadas pelo físico. Discordamos grandemente num caso de extremo pensamento - eu acredito que as pessoas, quando começam a pensar demais, tendem-se a afastar do físico e chegar ao mental puro. Minha fonte diz que essas pessoas pifam, e passam a ser pessoas "minerais". Ou, como tenho certeza que uma amiga minha diria, passam a ter cérebro de esponja.
Essa história de "mineral" me lembrou de uma frase extremamente famosa.
"Pietro è la pietra." (Bíblia)
Pois bem, Pedro é a pedra. A Bíblia diz isso com um intuito de dizer que Pedro era inabalável em suas crenças - mas outro sentido pode ser retirado desta nova configuração. Se Pedro era a pedra, Pedro não sofria mudança mental, sendo assim apenas afetado pelo físico - portanto, uma pessoa mineral, que não sofre mudança muito menos evolui intelectualmente. E isso não acontece só na religião. Muitas pessoas se mineralizam, fechando a mente para tudo e todos, impedindo assim de aprender, ou mudar de idéia, tornando-se idiotizadas, obsoletas e até mesmo por certas vezes nostálgicas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário