"Forever alive. [...] Forever I lie. Forever. And never, and never..." [Serj Tankian]
A mentira. Existem seres humanos que vivem sem alegria. Existem pessoas que nunca sentiram raiva de verdade. Mas que atire a primeira pedra quem nunca mentiu. Isso é porque a mentira se encaixa em todo contexto. Ela pode ser egoísta, altruísta, maldosa, manipuladora, irrelevante, e fica à discrição da pessoa de aplicá-la. Mas, ah, é impossível evitá-la, enquanto respirarmos.
Não existe pior mentira. Muitas pessoas dizem que a pior mentira é "mentir para si mesmo", mas a definição de mentira é a de criação de um fato que não condiz com a realidade. Mas o que é realidade? Os pensamentos - são realidades? E uma pessoa que não tem consciência de sua própria consciência, pode mentir, sendo que para ela a mentira é a verdade e os outros não tem conceito formado para distinguir a verdade? Acho que não.
A verdade é que a mentira advem do medo. São conceitos intrinsecamente ligados. Alguém mente com medo de chatear o outro. Com medo de que outros tomem proveito de si. Com medo de que outros o subestimem, mentem dizendo que fez coisas que nunca sonhou fazer. Mente para si mesmo por não saber aceitar, muito menos modificar, sua realidade.
É por isso que a mentira é parte integrante do ser humano. Porque o medo também o é. E é exatamente por esses motivos que a religião é uma mentira (apenas para constar, ateísmo TAMBÉM é uma religião, assim como deísmo, agnosticismo e afins). A religião tem como origem uma peça dúbia, visto que, de acordo com todas as "religiões" propriamente ditas - que chamarei a partir de agora de cultos - o ser humano não deve entender a divindade. Portanto, como pode compreendê-la em um artigo humano que não passa de reles papel e tinta? Este conceito contraditório mostra que a religião vem de uma insegurança humana - o que existe do lado de lá - e que, por não querer admitir que não tem resposta (outro defeito humano), passa a arriscar e defender o seu lado da verdade sem ter provas. Portanto, do medo origina-se a mentira. A única saída de se fugir deste contrassenso é não se ter religião de todo. O que quero dizer com isso? A ausência de religião não é acreditar que não há poder criador (sendo que isso é mais uma especulação do que não se pode saber - sendo assim um conceito sobre o divino e podendo ser catalogado como religião, fato comprovado pela etmologia da palavra: ateísmo, catolicismo, cristianismo, judaismo, budismo) e sim o não-crer em nada, usando apenas a mera lógica. O que é lógico? O lógico é que algo criou o mundo, mesmo que o mundo tenha sido gerado de uma explosão cósmica, tenha sofrido autogênese (foi gerado por ele mesmo), ou tenha vindo até mesmo do nada (ou do KÁOS, como os gregos prefeririam dizer), mas, mesmo sabendo que o mundo veio de algo (mesmo que esse algo seja o nada), não se pode especular mais nada sobre a divindade.
A religião me faz pensar em mais um ponto. Serão os não-crentes tão pecadores quanto os crentes costumam dizer? Porque, honestamente, nunca fui abordado por um ateu em casa tentando me doutrinar. No entanto, muitos religiosos chegam a discutir com outras pessoas por esse assunto.
O problema é que tudo é vago demais nessa sociedade. A partir do momento em que tudo se centralizar, as fraquezas ficarão expostas, se romperão, e daí poderemos progredir (ou regredir) uma vez mais.
No entanto, a inação é a pior medida. Até mesmo do que a regressão.
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